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Hey Guid, chegada altura do ano em que encontramo-nos para fazermos uma retrospectiva do ano. Antes de mais acho que deverias dar uma olhada ao ano de 2017 e 2018. Vai, eu fico a tua espera por aqui.

Continuando, mas antes de irmos para detalhes mais específicos, deixa-me falar-te dos teus pontos mais altos do ano: 44 livros e Open Window. Este ano conseguiste ler 44 livros mixed com audiolivros e cópias físicas e foste também aceite para o curso de Pós-Graduação em Design de Interacção na Open Window Institute. Parabéns!

Agora, indo aos específicos:

PADI – Como deves te lembrar (link), era suposto teres ido a Gana para conferência do Afrika Design Forum. Neste fórum haverias de te encontrar com os líderes da design education em África, mas, por circunstâncias alheias a tua vontade não aconteceu. Fica para a próxima.

Escalar Lepsta Developers – No teu trabalho, é também da tua responsabilidade a comunidade Lepsta Developers. Iniciada em 2018, conseguiste levar a comunidade para mais países em África. Hoje Lepsta Developers tem as sementes plantadas em 6 países e 11 cidades em África, que incluem dentre outras, Cape Town, na África do Sul, Lagos em Nigéria e Nairobi no Kenya.

Neste processo aprendeste sobre liderança e trabalho em equipa.Open Window – consideraste esta a tua maior conquista do ano. Depois de mais de 24 meses de conversas, conseguiste convencer a Open Window a te aceitar como estudante. Esta conquista foi importante pra ti porque permitiu-te saltar 3 anos e meio de Licenciatura directo para Pós-graduação. Em norma, por causa da tua formação em Economia, tu não poderias fazer uma Pós-Gradução em uma área de certa forma ligada a ciências exactas. Mas enfim, parece que ser cabeça dura às vezes funciona.

Pixelup South Africa – foi uma honra para ti participar do Pixelup South Africa. Partilhando espaço com Jina Anne, que já passou por empresas como Apple, Sales Force e Amazon outros designers super talentosos de empresas de alta tecnologia, como Google, IDEO, eBay e Spotify. Tu foste um dos 3 designers africanos da lista.

Para uma audiência de mais de 300 pessoas fizeste a tua melhor apresentação até os dias de hoje. Inspirada na tua atitude para vida a sugestão do título foi do teu ex-colega de trabalho, Frederico Silva: “World-class attitude even all the odds are against you” que em tradução livre significa “atitudes de classe mundial, mesmo quando as circunstâncias não conspiram ao teu favor”. A tua apresentação abriu-te a visão.

Market – de Moçambique para o Mundo – Ampliando os óculos da tua realidade, como já sabes market é objecto de estudo da sua tese de pós-graduação na Open Window, ampliaste os teus horizontes no market. Este deixou de ser só para Moçambique, porque aprendeste que solução similar, necessitam outros mercados emergentes. África do Sul e Angola serão os próximos países na plataforma. Boa boa! Vamos ver o que o futuro te reserva.

Podcast – world-class designer – das entrevistas para os artigos, guardaste os áudios e destes aproveitaste para usar para o teu podcast. O primeiro episódio já foi a entrevista com Elaine Chu, designer de Singapura que antes de iniciar sua jornada como designer de produto sênior na Grab, ela fez parte da equipe de design do Uber. Foi este o episódio piloto, mais por vir em 2020. O processo de produção foi divertido que eu sei, isto porque aprendeste a gostar e a respeitar o processo.

Frio na África do Sul – Sobre o inverno, este não foi um dos melhores. Frio de secar os ossos. Tiveste também alguns incidentes ligados ao alto nível de criminalidade no país. Aprendeste o que é ataque de pânico e viste tua vida toda em um flashback. Foram experiências traumáticas. Entraste em depressão. Foste ao psicólogo. Dizer que estavas a precisar não é politicamente correcto, mas estas, ajudaram-te a ser alguém com os pés mais assentes na terra e de certa forma mais atento a vida e os seus sopros de existência.

Dia Mundial do Design de Interação – patrocinado pela Adobe, tendo como oradores Cláudio Banze do Standard Bank, Victor Mourana da Microsoft e Rui Cossa do Vodafone M-pesa, foste moderador do Dia Mundial do Design de Interação, na Incubadora do Standard Bank. Este evento reuniu a comunidade global de design para mostrar como o design de interação melhora a condição humana. O tema central global e o dos eventos satélites foi confiança e responsabilidade. Fui uma experiência boa. Reflexões úteis para o dia-a-dia foram colhidas.

ASML – novas oportunidades surgiram, sempre surgiram, mas esta em particular veio em um momento em que não estavas emocionalmente estável e por isso mexeu contigo. Nova posição no teu país, seria uma área completamente diferente, logística. Trabalhaste por alguns dias, para saberes o que te esperava. Foi difícil, passaste por pressão ao extremo. Aprendeste, aliás, nem aprendeste porque já sabias: “Nem tudo que brilha é ouro”. A oportunidade não era pra ti, mas ficou a lição.

The Cool Kids – iniciativa do Vicente, teu amigo angolano que vive na África do Sul, juntaram mais 3 amigos (Dario, Marcelo e Mauro) e formaram os the cool kids. A ideia foi juntar um grupo de amigos com objetivos de vida parecidos para que se apoiassem mutuamente em seus projetos pessoais. Está a funcionar, e com o mesmo conseguiram apoiar até pessoal fora do vosso círculo com a conferência do Kutiva. A união faz a força.

Shake it – resultado de trabalho de casa, fizeste o shake it. Uma app para gestão de saldos no celular. A descrição completa de como a app funciona está aqui. Está também publicada na Playstore. Podes ver fazer download aqui.

44 Livros – Leste 44 livros. Yuval Harari por sua forma descontraída de detalhar eventos da história do humanidade passou a ser o teu autor favorito. Seth Godin com This is Marketing ensinou-te a importância de foco, Ryan Holiday com Trust Me I’m Lying mostrou-te os bastidores das estratégias comercias por de trás das campanhas das grandes corporações. Trevor Noah ensinou-te sobre humildade com Born a Crime e aprendeste sobre companheirismo com Michelle Obama em Becoming.

Para fechar – 2019 foi um ano de muitas lições pra ti. E realizações também. Mudança de mentalidade de local para world-class se tornou efectiva. 2020 será o ano de as colocar em prática. 2020 é um ano cheio de promessas.

Espero que estejas a altura do desafio.

Lição do ano – Nós estamos a um trauma de distância de nos tornarmos uma pessoa totalmente diferente.

Olá Guidione! Como está? Então, já conseguiste recuperar o fôlego do ano corrido que tiveste? Assumindo que sim, igual a 2017, vamos lá fazer uma recapitulação de 2018 que te vai ajudar a fazer planos melhorados quando estiveres a pensar em 2020, porque te conhecendo como conheço, sei que tens todo 2019 planeado. Vamos?


Depressão, princípios de depressão, ou algo perto disso
Teu início de 2018 não foi fácil, perdeste teu pai em meados de Dezembro 2017. Voltar à casa em Pretoria, Africa do Sul, e passar parte do tempo sozinho não foi muito boa idéia. Paraste de frequentar o ginásio, não te alimentavas como deveria ser e nem noites bem dormidas conseguias ter. Por quase 4 meses não conseguias fazer planos para mais de duas horas. Foi uma fase difícil para ti. Mas felizmente superaste, a partir do quinto mês do ano começaste a voltar a vida: adoptaste novos hábitos e rotinas e aos poucos a vida voltou a entrar nos eixos.

IxDA Maputo
Decidiste que deverias reactivar as actividades da comunidade de design que começaste em Maputo. Inicialmente querias trazer alguém da África do Sul como orador, mas a escassez de recursos financeiros fez-te criativo. Tu foste o orador do primeiro evento. Design Systems, tópico que eras fascinado na altura, foi o tema de eleição para a tua apresentação. O evento foi no IDEÁRIO Hub. Correu muito melhor do que esperavas. No final do mesmo conheceste Mauro Litsure, que passado alguns meses passou a ser teu sócio. Em parceria com Orange Corners e com o apoio do Standard Bank através da MozDevz, conseguiram organizar mais 5 meetups. Para tua alegria teu irmão mais novo, Simião Júnior, juntou-se a equipa e mostrou que o “make it happen” está no sangue dos Machavas.

World-class designers – Entrevistas
Conseguiste um convite para participar do Pixel Up South Africa, foi uma experiência fantástica para ti. Ajudaste e na facilitação do workshop em Co-Design, conheceste designers sul-africanos, mas, a melhor parte da conferência foi a entrevista que conseguiste com a Design Researcher Lead do Dropbox, Ruth Buchanan. Esta, marcou o início a da série de entrevista com world-class designers que te inspirou para o teu primeiro livro.
Com as entrevistas acabaste por conhecer Adam Reineck, Global Design Director, da IDEO.org cujo entrevistas foram publicadas nas páginas da IDEO.org. Tim Van Damme, Principal Designer do Abstract, que já fez parte das equipas de design do Instagram e do Facebook.

David Boardman, Head of Design do Citi Ventures Studio que antes de iniciar sua jornada no Citi Ventures Studio, foi Design Diretor  na IDEO em Nova York e, antes disso, trabalhou na Frog Design em Milão e no MIT Design Lab em Cambridge e outros. Os artigos foram todos publicados no canal  da UX Colletive, o maior canal de conteúdos relacionados a Design no medium.

Paths to Mastery – o livro
Na medida que ias fazendo as entrevistas acabaste descobrindo pontecial para um livro. Uma vez que a tua idéia inicial era criar uma ferramenta para que designers em princípio de carreira encontrassem ferramentas para acelerar o seu processo de aprendizagem o livro pareceu-te uma idéia perfeita, porque de certa forma complementava o propósito.  No geral, a idéia central do livro é coletar todas as entrevistas feitas e destacar os aprendizados mais importantes e à temporais.  Paths to Mastery – How to become a World-Class Designer que em tradução livre quer dizer: “Caminhos para a Maestria – Como se tornar um designer de classe mundial” será o título. Vamos ver como vais-te sair.
Design Sutra – Coleção de princípios de design

“Sexo não se ensina, aprende-se”
Disse o homem que nunca leu o Kamasutra. Acreditando neste princípio escreveste uma série de 54 artigos sobre princípios de design. Para partilhar princípios que não são comuns para a maioria dos designers iniciantes e a comunidade de design no geral, diz que só o tempo os pode ensinar. Chamaste a série de Design Sutra. Acho que que já está meio óbvio de onde a idéia veio. Os artigos serão publicados logo no início de 2019.

Estados Unidos
Havias marcado 4 viagens para este ano, mas por causa dos teus primeiros 4 meses de depressão não conseguiste alcançar as tuas metas. Já sabias que eventualmente haverias de conhecer os Estados Unidos. Só não sabias quando. Em Outubro,  fizeste a tua primeira viagem. Nos Estados Unidos, passaste por Boston, Portland, Nova York, tiveste o prazer de conhecer e jantar com Dan Franc, fundador do Google Developers Group e fizeste também novos amigos. A viagem aos Estados ajudou-te a ver o mundo de outra forma. Ajudou a remodelar os teus paradigmas internos e vencer preconceitos. Ficaste mais humilde, mas ao mesmo tempo mais ambicioso.

Baoba Hub
Inspiração resultante do casamento entre duas iniciativas Andela & 42 Paris deu origem ao Baoba Hub. Chamaste Baoba Hub porque acreditas no que o Baoba representa o símbolo de vida, energias positivas e esperança. Num lugar em que as pessoas não esperam que nada de bom aconteça, o Baoba sobrevive e prospera, tomando proporções além do comum. Esta é a filosofia que pretendes trazer para o Design em Moçambique.

O teu objectivo é transformar Moçambique numa referência de Design na África Austral. Pretendes atingir o mesmo através da divulgação do design como disciplina e área de actuação e também formar a nova geração de designers. Um dos mecanismos que usaste como ponto de partida foi o Baoba Conference. A primeira conferência de design em Moçambique, que juntou os melhores designers e praticantes de design do país.

A lista de palestrantes para a conferência incluiu: Benson Bllackson, Director de Arte e Designer Sénior na Golo Publicidade; João Roxo, Co-fundador e chefe de Design na Anima Estúdio Criativo; Alfredo Cuanda, Designer Multidisciplinar e fundador da empresa Cuanda & Co; Tiago Borges Coelho, Co-fundador e chefe de Pesquisa e Desenvolvimento na UX Information Technologies; Mélio Tinga, Designer, Autor e Co-fundador do Design Talks e da Revista Dezaine; Wacy Zacarias, Co-fundadora e directora criativa da Karingana wa Karingana e Woogi. A conferência contou também com um workshop de Design Thinking orientado por Sérgio Ferrão, designer de experiências na GRH.

market.co.mz – o teu (novo) hobby
Decidiste voltar a escola. E tema para tese de honours era necessária. “Bridging the Digital Divide: Promoting Entrepreneurship and Overcoming Obstacles to Digital Growth” que em tradução livre significa “Unindo o Digital Divide: Promovendo o Empreendedorismo e Superando os Obstáculos ao Crescimento Digital” para não parar em um projecto puramente teórico começaste a trabalhar no market.co.mz, um directório comercial com vista  transformar-se numa ferramenta para a promoção de pequenos negócios no ambinte digital em Moçambique. O site tem actualmente aproximadamente 24 000 empresas registradas. Nos próximos dois anos vais trabalhar na componente prática e teórica. Vamos lá ver como termina, ou não.

EngineOne na terra do tio Sam
Do lado profissional também cresceste. Aprendeste novas ferramentas e técnicas algumas úteis e outras nem por isso. Continuaste a trabalhar na ferramenta de produtividade para developers do futuro. Esta que será lançada na primeira metade de 2019. Mas, o lado que mais marcou-te é a comunidade que estás a frente. EngineOne Developers. A comunidade cresceu. Passaram a ter actividades em 8 cidades de 5 países e 2 continentes: Moçambique –  Maputo, Africa do Sul – Cape Town, Johanesburgo e Pretoria, Nigeria – Lagos e Kaduna, Kenya – Nairobi e Eldoret e Estados Unidos da América – Seattle. Em termos de gestão e liderança este foi o teu maior desafio até então.

Para 2019 vem
Ainda em 2018 mas, com olhos em 2019: foste convidado para participar como orador em uma conferência de design em Accra, Gana. Este convite foi uma honra para ti, porque vais cercar-te de educadores com PhDs em Design. Espero que faças bom proveito.
PixelUp 2019 de participante para orador: Não pelos teus skills em design mas sim por causa da tua atitude para com a vida, foste convidado para fazer um lighting talk no PixelUp em Cape Town, na África do Sul. Este evento vai contar com a presença de designers das melhores empresas de design e tecnologia da actualidade como o Google, Pinterest, Shopify, Adobe, eBay, IDEO e outras. Terás ainda a oportunidade de partilhar o palco com Khoi Vin, Principal Designer da Adobe. Outra grande honra para ti. Vai-te a eles rapaz!

E mais?
Este ano conseguiste ler e ouvir mais de 25 (audio) livros, escutaste mais de 1500 horas e podcast (How I Built This com Guy Raz, passou a ser o teu favorito) e umas poucas idas ao ginásio – ganhaste peso (cuidado com a balança rapaz).

Take Aways – As principais lições do ano
Não julgues tão rápido, nem tudo é simples como aparenta, ou complicado como dizem. Faz sempre inferência de opinões – busque o maior número de factos possíveis antes de chegar a uma conclusão. Esta a vida é um ciclo – hoje estamos por cima mas amanhã estaremos por baixo e vice-versa. Não escapatória possível. A melhor parte disto tudo, é que nenhum estado é eterno. Aprendeste também que experiência de vida é mais importante que idade cronológica. Sobre ego – como é importante saber fazer gestão quando trabalhamos com talentos. O ego de todos conta, menos o teu. Aprendeste a pensar e a ter uma atitude global – criar soluções que funcionam em Maputo, Moçambique e em Xangai, China, por que não?

Do teu 2018 vai um especial obrigado para Filomena Mairosse, que foi pessoa fundamental para que tu tivesses um ano bom, tanto de lado profissional como pessoal.

Hey Guidione, que ano mano!

Vamos lá fazer um recap para te ajudar a ter ideias frescas para o próximo ano.
Este ano, 2017, começou pouco depois de terminares o teu mandato na MozDevz. Foram 3 anos a ajudar a impulsionar o ecossistema de desenvolvedores local. E como comunidades e partilha de conhecimento estão no teu DNA, decidiste que haverias de continuar a trilhar a mesma jornada, mas desta vez, o enfoque seria em Design, mas especificamente em UX Design. Esta, está alinhada com a tua missão pessoal, de tornares-te em um UX Designer. Para tal ocorreu-te que era melhor ideia juntares-te a comunidades focadas na área.

Blog – Logo no início do ano, porque tinhas mais tempo, visto que a MozDevz, cujo actividades te ocupavam muito, não fazia mais parte da tua agenda, começaste a focar-te mais no teu blog. Cuidaste de todas as tarefas administrativas. Fizeste setup do domínio, server, encomendaste o logo e etc. No dia 3 de Fevereiro, dias dos Heróis Moçambicanos, colocaste o blog online com o primeiro artigo. Ao fim de 10 meses tiveste perto de 1500 visitas. Não foi mau para o primeiro ano como “blogger”. Tiveste também 2 dos teus artigos publicado em um jornal físico (impresso).

Google – Através do LinkedIn recebeste uma proposta – convite de trabalho para o Google em Califórnia. A mensagem entrou na tua inbox no dia 12 de Dezembro, mas só viste nos finais de Janeiro. Depois de ler, trocaste alguns emails com a recrutadora, mas, infelizmente o processo não foi para frente por duas razões: Primeiro, porque não estavas muito interessado, porque, a posição não estava alinhada com os teus objetivos pessoais, segundo porque no geral, não estavas preparado.

IxDA – Depois de algumas semanas de tentativas e com a ajuda do Teemu Seppälä, conseguiste tornar-te líder local da IxDA – Interaction Design Association. A tua missão era impulsionar o ambiente local em questões ligadas a Design, Design de Interação, que no final se mistura com UX Design. Passaste semanas a organizar a logística e construir uma equipa, e juntos conseguiram organizar o vosso primeiro evento. Foi um sucesso!

Tiveram como convidada, a designer americana Mehera Kvam. O evento foi no restaurante Acácias. Depois do primeiro, organizaram o segundo maior ainda, desta vez na Universidade São Tomas de Moçambique. Neste, convidaram o designer e professor Sul Africano Jason Hobbs. Com os dois eventos realizados conseguiram provar para vocês próprios e para o ecossistema no geral que era possível criar uma comunidade de designers.

IDF – Como havia te dito no princípio Guidione, decidiste tornar-te Designer, e para isso sabias que tinhas de focar-te em aprender mais teoria. Começaste a estudar na Interaction Design Foundation, onde te tornaste um dos melhores alunos em África 4 vezes consecutivas…Achaste o conteúdo dos cursos tão bom que quiseste partilhar com a tua comunidade. Foi quando tomaste a decisão de procurar os responsáveis pela plataforma.

Acabaste por te tornar responsável pela mesma em Moçambique (Country Manager) e ficaste também responsável por criar um programa de expansão para África. Infelizmente este segundo não foi para frente por conta das oportunidades que apareceram durante o mesmo ano.

Coursera – Como deves te recordar Guidione, IDF não foi a tua única fonte de conhecimento. Escreveste-te numa especialização em Design no Coursera, que ao fim de alguns meses por conta da tua performance académica convidaram-te para te tornares mentor. Basicamente o que tinhas de fazer é, partilhar. O que é fácil pra ti.

Ainda no princípio do ano fizeste a tua primeira palestra Internacional a falar sobre Design. O evento decorreu na Universidade de Johannesburg por ocasião do World Architecture Day. Recordo que ficaste um pouco arrasca lá, porque o teu Inglês não era lá grande coisa. Mas te safaste, para variar.
TEDx Maputo – Foi como um sonho para ti, sei que por algumas vezes pensaste que tivessem falhado no destinatário. Mas era para ti. Convidaram-te para falar da tua vida no TEDx Maputo. E melhor ainda, convidaram-te para partilhar o palco com os teus ídolos. Foi mágico, eu sei que foi Guidione, nem tentes esconder. Todos os teus colegas de trabalho estiveram lá. Na apresentação, partilhaste o teu segredo, o que te faz seguir firme na tua jornada. A tua intuição. O vídeo está agora disponível no YouTube, podes ir lá dar uma olhada só para recordares.

Fuckup Nights Maputo – As tuas acções como impulsionador de comunidades chamaram atenção das pessoas. Estas que acharam que tinhas histórias para contar. Não de sucesso, essas são meio que evidentes. Estes queriam saber as tuas histórias de fracasso. Para isso que servia o evento. Mais uma vez tiveste a oportunidade de partilhar o palco com dois dos teus ídolos, Kloro e Alfredo Cuanda. O evento de fracassos, foi um sucesso.

Freelancing falhou – Tua reputação como profissional trouxe-te clientes para trabalhos freelance. Funcionou super bem no inicio. E foste ganhando confiança e não demorou muito transbordou em arrogância. Resultado? Não conseguiste entregar alguns dos projectos que havias te envolvido. Passaste vergonha também que eu recordo. Tiveste de devolver pagamentos a alguns dos teus clientes por resultado da tua incompetência. Mas tu é esperto muleque. Isso ficou como lição.

Google de Novo – Por recomendação de um amigo teu, foste convidado a aplicar-se para o programa de Experts do Google. Tu, Guidione Machava, serias Google Developer Expert em UX. Fizeste a primeira entrevista. Passaste. Fizeste a segunda, passaste. Na terceira, recordas o que aconteceu? Passaste de novo. Teu ego estava lá na estratosfera. Ninguém te segurava. Só não sabias que faltava mais uma. Fizeste a quarta entrevista, foi de madrugada. O resultado só saiu 24 horas depois. Foi um email automático, nem teu nome vinha. “Não foi desta rapaz”. Sim, não passaste na quarta entrevista. Advinha onde foi parar o teu ego Guidione? Tu sabes melhor que eu…

Lepsta – Em Junho mudaste de emprego, em Agosto mudaste de país. Foi uma mudança e tanto. Teu mundo, do dia para noite, ficou de cabeça para baixo. Mas foi uma mudança boa, vai confessa. Novas oportunidades e novos desafios. Eu sei que adoras desafios Guidione. Viveste quase 1 mês em Airbnb, mas em Setembro, dia 1 Setembro, te mudaste para tua casa. Acho que foi um dos momentos mais emocionantes da tua vida. Mas foi uma mudança às corridas, recordo que foste comprar cama e cobertores a correr, largaste tudo em casa e foste de seguida para Hatfield, Pretoria. Tinhas uma apresentação no Standard Bank Incubator. Ias falar na nova comunidade. Dos novos desafios que abraçaste, EngineOne Developers.

EngineOne Developers – Depois de algumas semanas de planeamento a iniciativa finalmente saiu do papel. Conseguiste lançar a semente da tua primeira comunidade internacional. Esta, tem agora tem base em 7 cidades em 4 países em África. Conta actualmente com mais de 400 membros. Keep it up rapaz.
Perdas – 2017 foi um ano de perdas também. Duas delas te marcaram muito. Em 2017 “perdeste admiração” por alguém que era tua inspiração profissional. Em 2017 perdeste o teu pai. Mas Deus não dá tudo, né? Mas ainda assim, continuas com o teu sentimento de gratidão para com a vida.

Ok, antes de terminar, ficam aqui algumas lições pra ti Guidione:

As inseguranças não diminuem com tempo;
As ambições multiplicam-se nas mesmas proporções das nossas realizações;
Se fizeste tudo ao teu alcance, e a situação aparentemente não melhora, don’t worry, vai ficar tudo bem. Só precisas de tempo. Relaxa!
Existe vida fora do trabalho, viva-a.
Até 2019!

Li nos finais de Abril de 2018, a biografia de Jeff Bezos: The Everything Store: Jeff Bezos e a Age of Amazon. No livro, fora a jornada de Bezos, uma parte chamou a minha atenção. Esta parte estava logo no prólogo. Brad Stone, o autor do livro, descreve sua primeira conversa em 2011 com Bezos sobre querer escrever um livro sobre a ascensão da Amazon.

"No final da hora que passamos discutindo o livro, Bezos se apoiou nos cotovelos e perguntou: "Como você planeja lidar com a falácia narrativa?"
Ah sim, claro, a falácia narrativa. A falácia narrativa, Bezos explicou, foi um termo cunhado por Nassim Nicholas Taleb em seu livro de 2007, The Black Swan, para descrever como os seres humanos são biologicamente inclinados a transformar realidades complexas em histórias calmas, mas simplistas demais.

Taleb argumentou que as limitações do cérebro humano resultaram na tendência de nossa espécie de espremer fatos e eventos não relacionados em equações de causa e efeito e depois convertê-los em narrativas facilmente compreensíveis. Essas histórias, Taleb escreveu, protegem a humanidade da verdadeira aleatoriedade do mundo, o caos da experiência humana e, até certo ponto, o elemento enervante da sorte que desempenha todos os sucessos e fracassos.


Bezos estava sugerindo que a ascensão da Amazon poderia ser um tipo de história incrivelmente complexa. Não havia uma explicação fácil para como certos produtos foram inventados, como a Amazon Web Services, seu negócio de nuvem pioneiro que tantas outras empresas de Internet agora usam para executar suas operações. “Quando uma empresa surge com uma ideia, é um processo confuso. Não há momento aha!". Reduzir a história da Amazon para uma narrativa simples, ele se preocupou, poderia dar a impressão de clareza em vez da real.


Nos dias de hoje, o empreendedorismo e o empreendedor tem tido muita atenção dos média. O lideres das empresas de tecnologias acabaram de certa forma tornando-se em ícones da inovação. Estes mesmos lideres tem aos poucos ocupados lugares antes pertencentes aos artistas para as áreas de entretenimento. 


Agora entretenimento não é só música. Entretenimento também é conteúdo sobre empresas, conteúdo sobre negócios. Desta forma, este mesmos empreendedores são “forçados” a apresentar discursos sobre o seu trajecto pessoal e sobre as suas realizações profissionais. Acabando assim, na sua maioria, mesmo contra a sua vontade caindo na dita falácia narrativa. Atribuindo lógica a factos aleatórios. O perigo desta acção está com quem a ouve. Que acaba assumindo que certos acontecimentos são previsíveis e replicáveis. 


É importante, para nós plateia, termos a capacidade de questionar certos “factos”. A aprendermos que nenhuma verdade é verdade a 100%. Assim, saberemos todos fazer gestão de expectativas quando decidirmos envergar pelos mesmos caminhos que os nosso ídolos. 

Take-Aways
Biografias de líderes de tecnologias são leitura obrigatória para qualquer um que deseja aprender um pouco mais sobre a história de empresas de tecnologias no ocidente.

Estava em Pretoria com amigos, espera, estava em Centurion, outra cidade de Gauteng na Africa do Sul. Estas zonas são novas pra mim por isso fazem alguma confusão ainda. Mas continuando, estava com amigos, papo informal, no final da tarde quando decidi comprar pizza para o jantar. Fui ao Cal Caucho Pizzeria, no centro comercial de Centurion.

Comprei a minha pizza. Até ai estava tudo bem. Minha surpresa veio horas de depois, quando ia jantar.Antes de abrir a caixa, li o que estava escrito por cima.“Soon this will be a just an old pizza box, but right here, right now this is your short term romance” que em tradução livre significa “em breve, esta será uma velha caixa de pizza, mas agora, neste momento será o teu curto romance”. Eu achei o texto fantástico.

Me cativou e em questão de segundos a minha forma de ver a pizza mudou, para melhor. Não ia mais comer só um pedaço de pizza, ia iniciar um romance.O texto da caixa da pizza fez-me pensar em experiências e sobre empatia acima de tudo. Quem projectou a caixa, pensou no utilizador que é o comprador neste caso. Sobre como ele haveria de interagir passo-a-passo até a sua refeição.

Pensou ainda sobre como poderia customizar partes de seu produto para tornar a experiência mais agradável, mas marcante. Esta estória da caixa da pizza ensinou-me uma importante lição: mais importante do que o seu produto é o ecossistema em que ele se insere.

Quando projectamos produtos e serviços nos esquecemos na maior parte das vezes do ecossistema. Pensar em como o nosso pontencial utilizar irá interagir com o o nosso produto pode ter um impacto vital na forma como o mesmo será usado e até nas vendas. Assim ganhos utilizador e contrapartida o mercado.

Experiências customizados torna-se em vantagens competitivas.Quem pensou no texto para a caixa da pizza pensou fora da caixa, literalmente.

Quem vive ou passou pela cidade de Maputo com certeza já apanhou ou cruzou com um “chapa”. Chapa ou chapa 100 é nome dado aos transportes semi-colectivos que a maior parte dos cidadãos usa para se locomover para os vários cantos da cidade. Eles levam de lotação máxima 15 passageiros, mas no dia-a-dia não funciona exactamente assim (bem, isso é tópico para outra conversa).É comum nos chapas haver um cobrador e um motorista. O cobrador é o rei do chapa, ele é quem dita as regras, é a pessoa responsável pelas cobranças (como o nome sugere) e pela comunicação entre o os passageiros e o motorista na hora de descer ou subir do chapa.

O motorista é o capitão do chapa, ele é quem conduz o carro e os passageiros aos seus destinos.Todo o “maputense” que apanha chapa leva entre 5 e 50 minutos dentro de um. Nesse intervalo de tempo, há interação. Há interação entre os passageiros, interação entre o passageiro e cobrador, interação entre o cobrador e o motorista, interação entre o motorista e os passageiros e até interação do passageiro consigo mesmo.

“E esta interação nem sempre funciona bem”. Essa foi a conclusão do Sr. Domingos, motorista de um chapa que faz a rota Museu – Xipamanine, na cidade de Maputo.Com base na sua experiência como motorista e sua posição como proprietário do chapa, o Sr. Domingos conseguiu levantar 6 pontos onde interviu para melhorar a interação (experiência) dos seus passageiros (utilizadores). Estes pontos estão directamente relacionados à interação que acontece dentro do chapa.

1. Paragens: Quando um passageiro quer descer do chapa, ele tem de falar num tom de voz alto e acaba incomodando os passageiros à sua frente, visto que a tendência é inclinar-se pra frente para que o som chegue mais facilmente ao motorista, acabando por “berrar” próximo ao ouvido deste. Por sua vez, o cobrador, depois da chamada do passageiro, bate na lateral do chapa para avisar ao motorista que deve parar para que o passageiro desça. Este som, quando feito de surpresa – como é na maioria dos casos – prega sustos ao passageiros mais distraídos.

2. Iluminação: A iluminação normal do carro não favorece aos passageiros que fazem as suas viagens de noite, uma vez que os carros vêm com uma única lâmpada e esta localiza-se na região central do chapa e não permite uma distribuição da luz de forma uniforme. Por conta deste factor, alguns passageiros de má fé aproveitam-se e apropriam-se dos bens de outros passageiros.

3. Som: Muitos dos chapas da praça vêm com o sistema de som personalizado, com decibéis de fazer inveja a muitas discotecas. Esse sistema de som é usado para passar músicas que são, na maior parte das vezes, do agrado apenas do motorista.

4. Pagamentos: Quem apanha chapa pela manhã sabe que “dinheiro trocado” é o “Hino Nacional” da maior parte dos cobradores. Muitas vezes, nem todos os passageiros têm dinheiro trocado, factor esse que causa conflitos.

5. O cobrador: Em alguns casos, no lugar de ajudar, o cobrador mais atrapalha do que outra coisa. “Atendendo e considerando a dimensão do carro e a dinâmica de determinadas rotas, este elemento pode ser dispensado”, disse o Sr. Domingos.

6. Preocupações pessoais: Os passageiros quando estão no chapa querem aproveitar o tempo da viagem para fazer parte dos seus deveres como pagar água ou energia ou mesmo recarregar o saldo do celular.Com estes pontos em consideração, o Sr. Domingos customizou o seu carro para poder proporcionar uma melhor experiência aos seus passageiros. Ele começou por colocar campainhas no carro.

As campainhas foram colocadas em 4 colunas para que todos os passageiros, independentemente da sua posição (lugar em que estiver sentado), pudessem ter acesso com o mínimo de esforço possível. Esta solução contribui para que dois pontos, 1 e 6, acima citados, fossem eliminados ou pelo menos amenizados.A campainha possibilita que os passageiros chamem por suas paragens sem que seja necessário falar em voz alta, o que perturba os outros passageiros, e adicionalmente elimina a necessidade de um intermediário (o cobrador) para fazer chegar a mensagem ao motorista.

O sistema de iluminação também foi modificado. Acompanhado o disposição das campainhas, o Sr. Domingos adicionou 4 lâmpadas ao carro, factor este que ajudou a minimizar as tentativas de furtos e em contrapartida proporcionou um ambiente mais agradável e iluminado.

Quanto ao sistema de som, o Sr. Domingos decidiu elimina-lo. Segundo o mesmo, o sistema de som não se fazia necessário, visto que era difícil de encontrar um ponto comum entre os seus gostos pessoais e os dos passageiros, no quesito de estação de rádio e estilos musicais. Como consequência disso, o chapa acaba proporcionado momentos de “silêncio” (tranquilidade) e deixa espaço para as pessoas conversarem e conhecerem-se.Mas a inovação que mais se destaca nas interações alteradas é a modalidade de pagamento.

O carro do Sr. Domingos permite que os passageiros façam os seus pagamentos por via de carteiras móveis (mobile money). Sim, é isso mesmo. Os passageiros que têm contas no M-kesh e M-pesa podem fazer os seus pagamentos por estes canais e, melhor ainda, podem fazer o pagamento depois de descer do chapa; para isso, só têm de ficar com o número da conta M-kesh ou M-pesa do motorista. Este ponto deixou-me mesmo curioso e acabei por perguntar ao Sr.Domingos que garantias ele tinha de que os passageiros haveriam mesmo de pagar. Ele respondeu que não tinha como garantir, “tenho de confiar na boa fé das pessoas”. Nessa altura, percebi que o Sr.

Domingos está mesmo à frente na forma como gere os eu negócio porque já aplica princípios da “economia da confiança” (trust economy).Com a melhoria dos canais de comunicação e facilidades de pagamento o chapa passou a não precisar de um cobrador, factor este que só agregou valor económico ao seu negócio. O Sr. Domingos não precisa mais de contratar alguém para fazer as cobranças e acaba também ficando com mais um lugar livre no seu chapa, cabendo assim mais pessoas.

E tem mais. Fora fazer os pagamentos via M-kesh e M-pesa, no carro do Sr. Domingos os passageiros podem também comprar Eletricidade, pagar Água e até comprar recargas para telemóveis. “O Sr. Domingos está mesmo à frente.”O chapa do Sr. Domingos ensinou-me uma lição importante: as regras e os padrões não são criados e tirados dos livros; são, na verdade, feitos no dia-a-dia. O Sr. Domingos ensinou-me que é preciso mais do que Jakob Nielsen ou Dom Norman para ser um bom designer, é preciso também aprender a despir-me de padrões pré-estabelecidos e ser um bom observador.

Design de Interação e as lições do dia

Faltavam aproximadamente 2 horas para o nosso primeiro meetup. Eu acabava de levantar o material que faltava para termos tudo apostos. O meu telemóvel toca. Eu atendo, e a voz no outro lado da linha pergunta: “Alô, é da “Iquisda” Maputo?” eu respondo de volta dizendo que não havia percebido a pergunta, e o interlocutor repete: “é da Iquisda Maputo?”…fez se 5 segundos de silêncio, e foi então quando eu percebi: “Ahan, IxDA Maputo, sim, é sim da IxDA Maputo” e continuamos a conversa.

Ele queria saber se ainda havia espaço para mais um no nosso meetup. Infelizmente já havíamos chegado ao limite de convidados.Quando o relógio marcou 17h35 já estávamos no Café Acácias, os participantes começavam a chegar, 25 minutos depois o nosso meetup começou. Nos, havíamos reservado lugares para 15 pessoas, estavam lá 32. “A casa estava mais do que lotada”.

Fiz o discurso de abertura, mas logo retirei-me para dar espaço a nossa mestre da noite, Mehera Kvam (em breve farei um post dedicado a Mehera). Lições de Vida do Design de Interação, foi a proposta da nossa oradora para a noite. Falamos sobre Design, sobre o Designer e também sobre o foco principal que o design deve ter, o utilizador.

A Mehera fez uma breve cobertura sobre a História do Design, tendo esta começado nos meados de 1994, quando a interação homem-máquina era feita em computadores de mesa, as regras do bom design eram só sobre usabilidade e as pessoas que trabalhavam na área eram chamadas de Arquitectos de Informação.

Ainda no mesmo contexto, falou sobre a tecnologia Flash e sobre como o HTML emergiu através da Apple. Design de Interação e lições da vida, é sobre como como o Designer de Interação deixou de ser arquitecto de usabilidade para a pessoa responsável por um ecossistema onde toda a interação e micro-experiência é importante.

No final a Mehera re-afirmou sobre o poder das tecnologias para melhorar a condição humana e quão é importante que cada um de nós faça a sua parte.Após a apresentação, os participantes colocaram suas dúvidas sobre como poderiam adoptar algumas das “boas práticas” sugeridas pela Mehera nos seus projectos pessoais.

Muitas lições foram tirados durante o nosso primeiro meetup, mas a primeira e a mais importante de todas iniciou 2 horas antes do meetup, com a chamada do jovem que leu o nome da IxDA em Português (Iquixda Maputo). Nós, lemos em Inglês (aieckxidiei Maputo), era suposto nos estarmos a espera, mas não, assumimos que todos as pessoas pensavam, liam e interpretavam as coisas como nós, que se veio a provar não ser verdade. Nos, uma organização de design não nos focamos nos utilizadores. Ficou a lição.Até a próxima!

Origens da Psicologia da Gestalt

Estruturalismo
Wilhem Wundt é conhecido como o pai da Psicologia experimental, Wundt acreditava que a psicologia deveria focar na experiência subjectiva da pessoa e analisar a consciência sob condições controladas para perceber como a mente humana realmente funciona.

O estruturalismo buscou perceber e explicar a mente de um adulto em termos de componentes simples de definíveis e como eles são combinados para criar experiências complexas e bem como eles são correlacionados a fenómenos físicos visíveis.

Definindo e categorizando os componentes da mente humana, o estruturalismo assume que alcançamos o melhor entendimento da estrutura e organização do processo mental por de trás da formação do pensamento no geral, no seu mais alto level.

O estruturalismo afirma que as percepções são criadas através da combinação inconsciente de
elementos chamados de “sensações” na mente humana. Estas sensações podem ser consideradas como os pontos que coletivamente formam um rosto em retratos de Pointilism. Individualmente este pontos tem ligeira significância, mas quando vistas agrupadas forma uma representação mais expressiva. O estruturalismo deu vida a Psicologia da Gestalt, a teoria da mente que descreve as percepções humanas como as representações individuais são agrupadas para formar objectos inteiros mais representativos. Gestalt, que significa em alemão o mais próximo de “Psicologia da forma”

Os fundadores da Psicologia da Gestalt

Em 1911, Max Wertheimer, um dos três fundadores da Psicologia da Gestalt com Kurt Kafka e Wolfgang Kohler, desceram na estação de Frankfurt e compraram um stroboscope. Este que é um aparelho mecânico que cria a ilusão de movimento através da alteração de duas imagens ligeiramente diferentes.

Este acontecimento, fez a Wertheimer pensar como o estruturalismo poderia explicar o fenómeno. A ilusão de movimento causada pela alteração do posicionamento de imagens foi batizada de movimento aparente ou sensação de movimento. Wertheimer ponderou a ilusão e reconheceu que a a teoria estruturalista não poderia explicar o movimento aparente, isto porque a ênfase estava nos componentes individuais que compõem o todo, e não o todo em si. Em contrapartida, algumas teorias alternativas foram forçadas a abrigar este fenómeno, dai nasceu a Psicologia da Gestalt.

Explicar a percepção que está presente em um instante e não existe no instante a seguir em termos de estruturalismo “sensações” é difícil.
Os psicólogos Wertheimer, Kofka e Kohler acabaram por propor que, em temos de percepção humana, que o todo é diferente da a soma das partes, que é muitas vezes mal citado como “o todo é maior que a soma das partes”.

Princípios de Gestalt
Já imaginaste como nós percebemos o mundo? Como o nosso o cérebro interpreta as formas, as cores e as texturas?

um psicólogo percebeu que essa teoria do junto e misturado tinha tudo a ver com design gráfico, principalmente na parte de branding (logos, gráficos, cartazes), afinal, harmonia e equilíbrio entre elementos é exatamente o objetivo desse tipo de trabalho. O nome desse designer é Rudolf Arnheim,

  1. SIMILARIDADE
    São parecidos. Devo agrupar?
  2. CONTINUIDADE
    Faz seus olhos se mexerem na direção desejada
  3. FECHAMENTO
    Pararam no meio do caminho. Vou completar.
  4. FIGURA
    Vontade de ver. Teu cérebro quer tanto ver algum significado nas formas que dá até para usar os espaços que sobram entre as coisas
  5. SIMETRIA
    O colírio para os olhos, tudo arrumadinho.

Fontes:

Já faz algum tempo que não publico artigos novos. Bem, estive durante este tempo a trabalhar no meu blog novo e com ele, vem mais um artigo. Hoje vim falar sobre testes em Softwares. Sim, testes. Todo bom software antes do seu lançamento passa por uma fase de testes, estes podem ser de vários tipos, mas no artigo o maior enfoque está virado para os testes baseados na critica - a Avaliação Heurística.

Todo bom software antes de passar para a fase de lançamento oficial - disponibilização para o público, passa por uma fase de testes, estes podem ser de vários tipos, neste artigo o maior enfoque estará virado para os testes baseados na critica - a Avaliação Heurística. Na maioria dos casos. realizam-se testes para assegurar que todos os requisitos necessários para o pleno funcionamento de um software encontram-se em condições adequadas para que o utilizador final possa desfrutar dos serviços proporcionados pelo mesmo sem complicações.

Fora a Avaliação Heurística ou testes baseados na crítica, existem outras formas de fazer testes em softwares, estes podem ser por via de testes empíricos, testes formais ou testes automatizados.

Testes Empíricos - estes são feitos com utilizadores reais, que testam o software e dão feedbacks baseados nas suas experiências e observações. Os testes empíricos são na base na tentava e erro, cada utilizador compreende o software a sua maneira.
Testes Formais - neste tipo de testes, são construídos modelos e fórmulas para calcular/medir a reposta ou comportamento do utilizador dependendo do ambiente em que este é colocado.
Testes Automatizados - no modelo de testes automatizados, são construídos ou utilizados outros softwares para testes dos softwares em desenvolvimento. Este modelo é facilmente aplicado em projectos de pequena envergadura e de difícil implantação para projectos de grande envergadura.

Nos testes acima citados, só em 2 ( testes empíricos e formais) é que precisamos de utilizadores reais, embora o processo de implementação seja diferente, enquanto que no teste empírico o processo é mais livre e a mais recolha de dados qualitativos nos testes formais acontece o inverso, o ambiente é mais controlado e respostas estão sempre dentro de um parâmetro. O testes automatizados por sua vez, vem de certa forma complementar a componente humana, dando mais respostas quantitativas, trazendo sempre, respostas relacionadas a performance a outras componentes técnicas do software.

Ainda no mesmo espetro de testes, encontramos outro tipo de testes que de certa forma é apoiado pelos utilizadores, mas mais especializados, são estes chamados testes baseados na crítica ou avaliação heurística, como o título do artigo sugere - os testes baseados na crítica são normalmente feitos por experts na área. Nestes, pode-se ter/conseguir feedbacks de alto valor.

Avaliação Heurística é um método de teste/avaliação de interfaces de softwares baseado em princípios de usabilidade. Os princípios são chamados de heurísticas pois são desenvolvidos a partir de uma série de experiências prévias, sintetizando pontos recorrentes. Este termo foi cunhado inicialmente por Jakob Nielsen e Rolf Molich em 1990. Por ser o elo entre o homem e o computador, as interfaces dos softwares, pautadas nas heurísticas, é necessário considerar os elementos relacionados à sua adequada estruturação: Arquitetura da Informação, Arquitetura de Design, Navegabilidade, Conteúdo e Interatividade, que relacionados entre si, definem a usabilidade de um de uma interface. No processo de avaliação a interface é submetida para diferentes avaliadores que darão seu parecer baseando-se em 10 princípios, as chamadas heurísticas (este tópico será tema principal do próximo artigo). Umas das maiores vantagens do feedbacks baseado na crítica é proporcionar a possibilidade deste ser feito em qualquer fase do projecto, sendo que poupa os utilizadores, para testes de outra natureza em fases mais avançadas, onde o feedback baseado no uso do software dentro de um contexto é indispensável.

Na avaliação heurística é importante dar destaque ao perfil do avaliador, o expert. Para que o teste tenha efectivo valor este tem de ser um profissional com experiência na área de engenharia de software com mais mais enfoque em analise de interfaces interactivas em aspectos concernentes as usabilidade.

Referências

  1. Why and How, Coursera 
  2. Avaliação Heurística, Corais
  3. O que é e como fazer uma Avaliação Heurística, Design Interativo
  4. Avaliação Heurística na análise de interfaces, UX Design

O que é IxDA Maputo?Somos uma equipa jovem que pretende fazer do design uma área potencial em Moçambique. Pretendemos levar actividades de design ao quotidiano dos cidadãos, mudando o actual cenário em que quem faz e consome produtos digitais.Desde o seu lançamento em 2003, a IxDA tornou-se uma rede global de mais de 80.000 membros e mais de 173 grupos locais, concentrando-se em questões de Design de Interacção para o profissional, independentemente do seu nível de experiência

.O que é Design de Interação?

O Design de Interação (IxD), define a estrutura e o comportamento de sistemas interactivos. Designers de interação se esforçam para criar relações significativas entre as pessoas, os produtos e serviços que eles usam, desde computadores e dispositivos móveis para eletrodomésticos em diante.Aplicando estes conhecimentos, os designers de interação criam produtos e serviços de maior usabilidade sob o conceito do Design Centrado no Utilizador, levando em conta os objetivos, funções, experiências, necessidades e desejos destes.

História da IxDA

A IxDA foi formada para atender às necessidades do então emergente campo de Design de Interação. Nos anos seguintes, o Design de Interação cresceu como uma indústria e uma área de estudo, ao mesmo tempo o reconhecimento de seu valor na criação de grandes produtos tem crescido.A IxDA é a primeira e maior comunidade para aqueles interessados na prática de Design de Interação. Impulsionada por uma paixão pelo design e pela crença de que a prática de Design de Interação pode tornar o mundo num lugar melhor.

Objectivo

Acreditando que a condição humana é cada vez mais desafiada por experiências pobres. A IxDA está empenhada em melhorar a condição humana, avançando a disciplina do Design de Interação. Para que isso aconteça, esta fomenta a uma comunidade de pessoas que escolhem se unir para apoiar a essa intenção.

O que fazemos?

A IxDA está empenhada em avançar a prática de Design de Interação. Isto é feito através de grupos locais, conferências, comunidades online, prêmios, cimeiras de educação e desafios no domínio do design de interação.